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ARTIGOS

Existe remédio para a nossa dor?, por Chico Xavier

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tristeza

Meus amigos, muita paz…

Se a noite é das crianças, eu também quero fazer-me pequenino, dentro da humildade da minha posição espiritual e, de coração genuflexo com o vosso, elevo o pensamento sincero ao Senhor do trabalho e da seara, suplicando-Lhe Bênçãos Divinas para o vosso esforço, bênçãos essas que muito particularmente desejo aos nossos irmãos que vieram de longe, trazendo aos companheiros da causa da verdade e da luz, a palavra da fraternidade e do amor.

Enquanto as ruinarias vão povoando o planeta, vítima dos mais sérios desequilíbrios, dentro da crise ideológica e moral que há muito tempo, lhe trabalha o imenso organismo social e político, estais aqui no labor educativo, o caminho primário do reerguimento humano, a estrada primordial da regeneração da vida terrestre, ansiosa de atingir as elevadas finalidades do seu alto destino.

Os vossos tempos refletem amargamente a angústia coletiva de todos os povos, em face desse aluvião de escombros que prenuncia terrível para os anos próximos, como corolário de desvios e de antagonismos irreconciliáveis, tão somente criados pela mentalidade humana, dentro de seu abuso de liberdade. Dores amargas se anunciam nesse paiol de abundância e de super-produção, que a inteligência da humanidade criou para a sua vida.

E a verdade é que as facilidades da civilização deveriam constituir um índice soberbo de aproveitamento espiritual, por parte das criaturas, detentoras dos mais notáveis progressos científicos nos tempos modernos. Entretanto, os penosos acontecimentos que se verificam nestes dias de confusão, de angustiosa expectativa, bem demonstram o contrário. O homem da estratosfera e das profundidades submarinas; o homem da mecânica e da eletricidade, da genética e da biologia, da física e da química, da filosofia e das religiões, em voltando para dentro de si, vem encontrando a sua mentalidade obscura de há dois milênios.

É esse fenômeno de antagonismo evidente entre o homem físico e o homem moral, a causa da subversão de todos os valores morais que vindes constatando.

Onde o remédio?…

Todos os pensadores se reúnem para comentar a necessidade dos tempos.

Os políticos convocam ministérios e gabinetes; os filósofos aventam teorias novas em sociologia, mas a verdade é que os cataclismos caminham no ar, sem que os poderes humanos consigam determinar-lhes a marcha.

Todos os corações sentem que existe algo para acontecer; aguardam angustiados uma novidade nos ares, como se sombrios vaticínios pesassem sobre a sua vida de relação e a realidade é que nem os políticos e nem os filósofos, nem os economistas e nem os sociólogos podem dirimir as profecias singulares e dolorosas, impossibilitados de recurso, desconhecendo o remédio necessário à paz coletiva e à prosperidade mundial.

Mas uma corrente de lutadores batalha hoje na vanguarda dos tempos.

Vive desprotegida de todo amparo oficial da política administrativa, não se veste com as penas de pavão do cientificismo do século. O tóxico do intelectualismo com todos os seus excessos perniciosos não lhe é familiar. Os trabalhadores são humildes. Assemelham-se àqueles homens desprezados que construíram com os seus martírios e com as suas lágrimas as bases augustas do Cristianismo na civilização do Ocidente.

Não tem títulos, nem prerrogativas e nem sinais particularizados, mas de seus corações e de suas palavras, dimana a lição preciosa d’Aquele que reenvia ao mundo os seus verbos luminosos. São os trabalhadores do Espiritismo que, de fato, começam pelo princípio, isto é, pela educação, único meio eficaz e seguro da realização almejada. Educação no Evangelho Redivivo, na disseminação de verdades santas que as igrejas sectaristas abafam por mais de um milênio, no silêncio frio de seus calabouços, calando interesses inconfessáveis.

É verdade que essa falange de operários não poderá modificar a face do mundo de um dia para o outro. Não poderão esses servos da ultima hora, afastar do espírito coletivo das multidões delinquentes, o quadro nefasto da guerra e do extermínio, criado pela sua ambição e pelo seu despotismo, longe daquele Reino de Deus que se constitui de sua justiça.

A dor há de vir realizar a obra que não foi possível ao amor edificar por si mesmo.

Todavia, o futuro está cheio daquela Luz Misericordiosa que promana do Alto para todos os corações da nova geração, dentro desse generoso labor do Espiritismo Cristão, na pedagogia renovada à Luz do Evangelho do Senhor e dentro dessas edificações novas e sublimes, poder-se-á esperar o homem de amanhã, que, consciente do seu dever e da sua obrigação divina, possuirá a Terra e o Céu com os seus Infinitos Tesouros.

Prossegui em vosso esforço e que a paz de Jesus possa radicar-se em vosso íntimo, proporcionando-vos mais belas edificações espirituais é o que vos deseja o irmão e o servo humilde, Emmanuel…

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